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VXY Mogiana em MG
...
Estrela D'Oeste
Jales
Urânia
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Tronco EFA-1970
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ESTIVE NO LOCAL: NÃO
ESTIVE NA ESTAÇÃO: NÃO
ÚLTIMA VEZ: N/D
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E. F. Araraquara (1951-1971)
FEPASA (1971-1998)
JALES
Município de Jales, SP
Linha-tronco - km 373,734 (1960)   SP-2154
Altitude: 483 m   Inauguração: 21.08.1951
Uso atual: abandonada e fechada (2014)   com trilhos
Data de construção do prédio atual: n/d
 
 
HISTORICO DA LINHA: A Estrada de Ferro de Araraquara (EFA) foi fundada em 1896, tendo sido o primeiro trecho aberto ao tráfego em 1898. Em 1912, já com problemas financeiros, a linha-tronco chegou a São José do Rio Preto. Somente em 1933, depois de ter sido estatizada em 1919, a linha foi prolongada até Mirassol, e em 1941 começou a avançar mais rapidamente, chegando a Presidente Vargas em 1952, seu ponto final à beira do rio Paraná. Em 1955, completou-se a ampliação da bitola do tronco para 1,60m, totalmente pronta no início dos anos 60. Em 1971 a empresa foi englobada pela Fepasa. Trens de passageiros, nos últimos anos somente até São José do Rio Preto, circularam até março de 2001, quando foram suprimidos.
 
A ESTAÇÃO: A cidade de Jales foi fundada em 1941, e tomou o sobrenome do fundador Euphly Jalles, agrimensor e mineiro de Frutal, como nome. Jalles recebeu muitas terras como pagamento de serviços efetuados para a empresa Glória e Furquim, originada da subdivisão da imensa fazenda da Ponte Pensa, esta surgida no início do século XIX.

Dez anos depois, a EFA chegou à cidade, com uma estaçãozinha provisória de madeira, substituída pela atual de alvenaria alguns anos depois.


"Em 1963 e 1964, eu viajava todos os dias de trem, da minha pequena Santana da Ponte Pensa, para cursar o ginásio em Jales. Por esse motivo, tornei-me conhecido e
conheci todos os chefes das estações não só das duas cidades, como da região; assim como todos os guardas de trem, que a cada estação anunciavam a próxima e picotavam as passagens; disso, jamais me esquecerei" (Antonio Fouto, Mirassol, SP, 04/2007).

"Lembro-me (...), nos idos de 1993 (...) (que) as estações em sua maioria eram muito longe do centro urbano, mas quando o trem passava, elas mostravam alguma vida. Notei que muitas estações já estavam sendo fechadas e seus desvios arrancados. Só ficaram com o "staff" as estações em cidades maiores como Jales, Votuporanga, Fernandópolis. Acabei conhecendo a estação de Jales à força: o PA2 em que eu estava recebeu ordens de aguardar cruzamento na estação, e o chefe da estação comentava que vinha um trem especial pela frente. A demora de cerca de meia hora foi suficiente para fuçar nela e ver todos aqueles objetos antigos da antiga Araraquarense da época da inauguração da estação. O PA2 foi colocado no desvio para a passagem do trem especial que logo chegou, puxado por uma GP-9 impecavelmente limpa e com os faróis acesos. Puxava o trem de administração da Fepasa, feito de aço inox, composto por dormitórios e poltronas confortáveis. Seguia rumo às obras da ponte rodoferroviária com a comitiva composta pelo presidente e seus diretores" (Rodrigo Cabredo, 2001).

A estação funcionou como Ciretran e depois foi abandonada. Em 2014, a estação estava ainda assim. A área da frente era utilizada por auto escolas. O armazém era utilizado como oficina da ALL. O antigo carro da EFA "decorado'' era utilizado como alojamento para funcionãrios da ALL. Os dois carros (antigos) tipo oficinas de madeira estavam praticamente abandonados, um deles servido de depósito.

AO LADO: Extraído da obra de Sederval Nardoque: Apropriação capitalista da terra e a formação da pequena propriedade em Jales-SP, UNESP, 2002.

"Muitas cidades foram construídas ao longo da picada feita para demarcar o traçado da Estrada de Ferro Araraquara (EFA) que se estendeu pela região. Assim aconteceu com Jales, Urânia e Santa Fé do Sul (...). O traçado urbano era reproduzido de cidade para cidade, com características muito comuns, como duas avenidas largas, quarteirões com planos ortogonais e ruas traçadas de forma paralela às avenidas. Implantou-se, dessa forma, uma "fábrica de cidades" no extremo Noroeste Paulista, a partir da década de 1940, com o objetivo de promover a venda de terras"

ACIMA: A estação de Jales (à esquerda) e seu armazém (à direita) no dia da inauguração em 1951 (Museu Histórico de Jales). ABAIXO: Viaduto em Jales (1955) da ferrovia sobre a avenida Marimbondo, hoje avenida João Amadeu (Museu Histórico de Jales).


ACIMA: Pátio da estação de Jales, em março de 2009. O pátio de Jales é um dos poucos que ainda mantém todas as linhas. Parte do armazém é usado pela ALL como base de turma de manutenção de via. Há ainda alguns vagões antigos encostados por lá, o que é fato raro nos pátios da antiga EFA, e entre eles dois de madeira: um caboose e um dormitório para funcionários (Foto Rafael Correa, 2009). ABAIXO: Plataforma da ex-estação de Jales em 15/5/2014 (Foto Daniel Gentili).
(Fontes: Daniel Gentili; Rodrigo Cabredo; Rafael Correa; Antonio Fouto; Alberto Del Bianco; Hermes Y. Hinuy; Museu Histórico de Jales; Sederval Nardoque: Apropriação capitalista da terra e a formação da pequena propriedade em Jales-SP, UNESP, 2002; EFA: Relatórios anuais, 1940-69; http://radiojalesforever.com;Guia Geral das Estradas de Ferro do Brasil, 1960; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht)
     

A estação de Jales original. Data ignorada. http://radiojalesforever
.com

A estação de Jales em 1954. Acervo Alberto Del Bianco

A estação de Jales, em 09/2001. Foto Rodrigo Cabredo

No pátio da estação de Jales, um carro Pullman Standard da antiga Cia. Paulista jaz no abandono, em 09/2001. Foto Rodrigo Cabredo

A enorme plataforma da estação, em 20/11/2001. Foto Hermes Y. Hinuy

A estação "lacrada" e toda pichada em março de 2009. Foto Rafael Correa

Plataforma da estação de Jales em 15/5/2014. Foto Daniel Gentili

Fachada e entrada original da estação de Jales em 15/5/2014. Foto Daniel Gentili
 
     
Atualização: 26.07.2017
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.