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VXY Mogiana em MG
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Vila Margarida
São Vicente
Ana Costa
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Mairinque-Santos - 1937
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ESTIVE NO LOCAL: SIM
ESTIVE NA ESTAÇÃO: SIM
ÚLTIMA VEZ: 1999
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Southern São Paulo Railway (1913-1927)
E. F. Sorocabana (1927-1971)
FEPASA (1971-1998)
SÃO VICENTE
Município de São Vicente, SP
Mairinque-Santos - km 120,834 (1960)   SP-2880
Altitude: 4 m   Inauguração: 22.12.1913
Uso atual: demolida em 2006   com trilhos
Data de construção do prédio atual: 1957 (já demolido)
 
 
HISTORICO DA LINHA: Projetada desde 1889, a Mairinque-Santos, linha que quebraria o monopólio da SPR para ligar o interior ao litoral foi iniciada em 1929 e terminada em 1937, com a ligação das duas frentes, uma vindo de Santos e outra de Mairinque. É uma das obras ferroviárias mais reportadas por livros no Brasil. Já havia, no entanto, tráfego desde 1930 nas duas partes, e o trecho desde Santos até Samaritá havia sido adquirido em 1927 da Southern São Paulo Railway, operante desde 1913. Com o fim da Sorocabana e a criação da Fepasa, em 1971, a linha foi prolongada até Boa Vista, no fim dos anos 80 (retificação do antigo ramal de Campinas). Houve tráfego de passageiros entre Mairinque e Santos até cerca de 1975, e mais tarde entre Embu-Guaçu e Santos, até novembro de 1997. A linha opera até hoje sob a administração da Ferroban.
 
A ESTAÇÃO: A estação de São Vicente foi inaugurada em 1913, pela São Paulo Southern Railway, e fazia parte do ramal de Juquiá.

Este ramal, comprado pela Sorocabana em 1927, teve a sua parte inicial incorporada ao ramal Mairinque-Santos, quando de sua conclusão em meados dos anos 1930.

Em 1938, foi construído junto à estação um embarcadouro de gado (*relatório EFS, 1938).

Em 1957, o prédio original deu lugar a uma nova estação, bastante feiosa, por sinal. Era este prédio que estava lá até o início de 2006. Serviu aos trens da Santos-Juquiá até fins de 1997, e do TIM até 1999. Até 1990, um desvio particular que saía da estação de São Vicente levava areia para uma fábrica de vidro da Santa Marina, mas nesse ano foi desativado.

"É interessante notar alguns aspectos interessantes nas fotos (de 1977, abaixo). Uma delas é "aérea", o que permite suspeitar que havia uma passarela no local. Seria verdade? Nunca a vi na região, que só conheci em 1991; logo, se passarela houve, talvez ela tenha sido do tipo provisório, como as construídas com canos de aço e tábuas, e que havia na estação Piaçaguera da COSIPA até, mais ou menos, 1985. A estação está com a porta fechada - faz sentido; em 1977 os trens de longo percurso da EFS nos ramais da EFS foram extintos (em 1982 foram reativados) - pelo que li, como contrapartida ao financiamento para a remodelação dos subúrbios de SP. Nas fotos não observamos com mais detalhes as instalações e oficinas de apoio ferroviário que haviam ao lado da Fábrica Santa Marina, bem como o ramal que atendia essa empresa no abastecimento de areia para a fabricação de vidros" (Antonio Gorni, 05/2006). A passarela realmente existiu até 1988, quando foi demolida devido a estar abandonada, segundo o ex-ferroviário Claudinei (06/2006). "Ali existia realmente uma passarela de tubos de ferros e madeira que denominávamos "Pontilhão". Eu ficava em cima vendo os trens que passavam, naquele tempo máquinas a vapor, e eu notava também vários índios que perambulavam pela estação aguardando trem para Juquiá. Eles vendiam artesanato, arcos e flechas. Minha avó dizia que eles roubavam crianças. Era para eu ficar com medo e não ir ao pontilhão sozinho" (Valter Mingues, 01/2008).

Situada no Centro de São Vicente, ao lado da Linha Amarela, a estação foi, depois de sua desativação, apenas um depósito de dormentes, além de servir como estacionamento de automóveis, com mato alto e mau cheiro. No final de 2002 a Prefeitura reformou a área e sobraram apenas duas linhas: a principal, junto à antiga plataforma e uma outra, escondida junto à calçada do outro lado.

Exatamente em 16 de março de 2006, foi anunciada a sua demolição para a passagem de uma avenida. Bela forma de se tratar a memória da cidade. Tudo autorizado pela Prefeitura, pela RFFSA e pela CPTM. (Informação de Marlus Cintra, 16/03/2005). Porém, em 25 de março, a estação continuava em pé. "A cobertura da estação já foi arrancada. Ela parecia estar ocupada por alguma espécie de oficina, mas agora está totalmente deserta. Há entulho ao redor. Os terrenos foram limpos, talvez para a cerimônia. Mas, enquanto há vida, há esperança" (Antonio Gorni, 25/03/2006).

No sábado, dia 1 de abril de 2006, a estação foi metade demolida. "Bom, finalmente a situação se definiu no front ocidental... foi iniciada a demolição da estação de São Vicente. Ontem, quando notei o fato, repentinamente passou pela minha mente uma canção do Pink Floyd (para horror e escárnio da elite musical) num arremedo de revolta: Get your Filthy Hands off my Desert - ou seja, "tirem suas mãos nojentas de meu deserto"... Tá certo, a estação é um horror arquitetônico, não tem lá muita história mas, bem ou mal, era um recuerdo da antiga Sorocabana, ainda que bastante degradada nos últimos tempos, dentro da tendência irreversível de desertificação das ferrovias nacionais - zumbis sem alma, puro equipamento para transportar commodities, não mais interagindo com a população através da prestação de serviços (no mais das vezes, essenciais) e deixando de inspirar sentimentos positivos. Daí a indiferença ou, até mesmo, entusiasmo, que cerca o desmantelamento dessas antigas instalações ferroviárias, meros despojos de uma ferrovia que já morreu e não sabe, ao menos para os corações e mentes da população em geral. Esta demolição é a largada para mais uma avenida e certamente sinaliza mais enfaticamente o abandono do projeto do VLT. É quase certo que nela haverá um corredor de ônibus como concessão para a plebe rude. A classe média motorizada terá algum alívio no trânsito, mas daqui a cinco anos o local estará novamente congestionado por carros e mais carros" (Antonio Gorni, 01/04/2006). Em 8 de abril de 2006, ela já estava completamente no chão.


ACIMA: O trem inaugural que segue para o primeiro trecho a ser aberto da linha Mairinque Santos (de Samaritá a Estaleiro, hoje Gaspar Ricardo) passa pela antiga estação de São Vicente em 15/2/1930 (O Malho, 1/3/1930). ABAIXO: A estação de São Vicente, anos 1980. Antigo trem de passageiros com um, às vezes dois, carros de carbono, antes da implantação do TIM, e com uma locomotiva serie 3.800. Ao fundo, antiga passarela de pedestre desativada, que dava acesso aos ferroviários à rua Persio de Queiroz, na Vila Sorocabana e armazém de abastecimento dos ferroviários. O trem está seguindo para Samaritá (Acervo e informações Marcos Antonio Nobrega).


ACIMA: Desvio para carga e descarga de areia no pátio da estação de São Vicente em 1982. A areia vinha de Juquiá (Foto Ademir Bueno de Camargo). ABAIXO: Estação e pátio de São Vicente, provavelmente anos 1990. Ao fundo, a chaminé da Santa Marina (Autor desconhecido).
(Fontes: Ralph M. Giesbrecht, pesquisa local; Antonio Gorni; Ademir Bueno de Camargo; Thiago Henrique Ferreira; Marcos Antonio Nóbrega; Valter Mingues; Marlus Cintra; O Malho, 1930; E. F. Sorocabana: relatórios anuais, 1925-69; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht)
     

A estação original de São Vicente. Data e autor desconhecidos.

Plataforma da estação em 1940. Era a estação velha, cujo prédio infelizmente não se vê. Acervo Thiago Henrique Ferreira

A estação de São Vicente em atividade...

...e muito movimento de cargas no pátio...

...em 1977. Acervo Waldir Rueda

Fachada da estação de São Vicente, em 16/12/1998. Foto Ralph M. Giesbrecht

Plataforma da estação já desativada, com pesquisadores no local. Foto Antonio A. Gorni

Plataforma de embarque do extinto TIM, em 23/11/2002. Foto Antonio A. Gorni

Fachada da estação em 23/11/2002. Foto Antonio A. Gorni

Pátio da estação em 23/11/2002. Foto Antonio A. Gorni

Plataforma da estação em 14/01/2003. Foto Antonio A. Gorni

Plataforma da estação em 14/01/2003. Foto Antonio A. Gorni

Plataforma da estação em 14/01/2003. Note a segunda linha junto à calçada. Foto Antonio A. Gorni

A estação em 14/01/2003: antiga bilheteria. Foto Antonio A. Gorni

Demolição da estação em 01/04/2006...

...deixou ainda restos do prédio...

...que não resistiram a mais cinco dias...

...deixando velhas lembranças da Sorocabana. Fotos Antonio A. Gorni

A estação totalmente demolida, em 08/04/2006. Foto Antonio A. Gorni
   
     
Atualização: 26.08.2017
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.